NO RASTRO DE PLUTÃO – A SOMBRA DA COLETIVIDADE ASSUME SUA FACE

 

Desde a entrada de Plutão no signo de Capricórnio, em 2008, a energia transformadora deste planeta vem provocando mudanças profundas e radicais nas estruturas políticas e econômicas no mundo todo. Esse movimento plutoniano iniciou-se com a crise financeira de 2008, que sacudiu o modelo econômico sustentado pelos mercados e governos, em especial na Europa e nos EUA.

A crise financeira trouxe desemprego, instabilidade institucional e a sensação de que os governos perderam a mão na capacidade de organizar e promover a prosperidade do cidadão. Somado a isso, Plutão, uma energia muito ligada à violência, intensificou as ações terroristas e a violência urbana, o que aumentou a sensação de insegurança e, também, criou decepção na capacidade dos governos de prover segurança pública.

A reação mais clara a tudo isso é que o cidadão passou a não mais confiar nas estruturas políticas, a ver os governos como fracos, em especial aqueles que se dedicam a defender minorias e desfavorecidos, em vez de fortalecer posições defensivas e excludentes.

Segundo o pensamento dessa população insatisfeita, a função do governo seria usar da mão firme para gerar segurança a qualquer preço (mesmo indo contra a lei, o bom senso e os direitos humanos).

Também faz parte do ideário dessa população que a economia deve servir aos interesses individuais e não às demandas do Mercado Internacional. Mas não por uma ideologia anticapitalista, e sim por um sentido de isolacionismo. A necessidade de virar as costas para a globalização e cuidar dos temas domésticos (claro, aqueles temas caros aos autodenominados “cidadão de bem”).

Vimos isso na vitória a favor da saída do Reino Unido da União Européia – o chamado Brexit.

Agora, vemos toda essa insatisfação e intolerância sendo expressas nas eleições americanas, legitimando o discurso isolacionista, protecionista e xenofóbico de Donald Trump.

COMO A ENERGIA DE PLUTÃO ATUOU NA ELEIÇÃO DE DONALD TRUMP

Plutão representa tudo aquilo que está guardado nas profundezas do inconsciente, conteúdos emocionais que ficam fermentando dentro de cada um. São aqueles desejos politicamente incorretos que não revelamos porque o mundo condena tais tipos de expressão. Fato é que, em boa parte das pessoas, existe silenciosamente o racismo, a xenofobia, a homofobia e o desprezo pelos direitos humanos daquelas pessoas que são consideradas “não aceitas” ou “não aprovadas” pelos valores do indivíduo. Mas nem todos admitem isso publicamente. Os que o fazem, utilizam das redes sociais para expressar seu rancor ao que não aceita.

Além do que, Plutão representa também a fé cega, o fundamentalismo religioso. E vemos que essa insatisfação coletiva se ancora nas esperanças bíblicas de uma Justiça Divina, claro, uma justiça de um Deus branco, conservador, moralista, belicista, ditatorial e tirânico. Para não dizer psicopata. Pois a imagem criada de um deus vingativo e apocalíptico expressa a energia sombria do ódio e da intolerância que muitos carregam escondido no seu mais profundo inconsciente.

Para muitos fãs, Donald Trump é uma promessa bíblica e seus comícios eram verdadeiros cultos.

A vontade de que aquilo que não se aceita seja banida, apagada ou morta fica lá dentro das pessoas, vivendo a esperança de que um dia seja legítimo matar em nome da fé, banir em nome da higienização social e dos “bons costumes morais” , desprivilegiar os que acredita-se não serem merecedores da ajuda dos governos (para não dizer aqueles que acreditam-se não ser merecedores da Graça de Deus).

Coletivamente, essa energia cria uma massa crítica que vai crescendo e latejando. Em algum momento, numa determinada circunstância histórica, essa energia vem à tona e é canalizada por um personagem que discursa em concordância com tudo isso.

Foi o caso de Adolf Hitler que soube habilmente se dirigir à população alemã com a estima machucada pela perda da Primeira Guerra Mundial e judiada pela Grande Depressão dos anos 1930. “Façamos a Alemanha poderosa novamente” era seu lema. E deu no que deu. Uma Segunda Guerra Mundial com dezenas de milhões de mortos, dentre os quais aqueles que foram apontados como os “não aprovados”: judeus, ciganos, homossexuais, deficientes, comunistas e dissidentes políticos.

Donald Trump com o seu lema “Faça a América grande novamente” é a versão atualizada do mesmo processo sombrio. Milhões de eleitores viram nele a personificação daqueles desejos inconfessáveis de vingança (uma emoção bem plutoniana) contra tudo o que eles consideram como culpados pela sua insatisfação. Para essa gente, seus empregos foram para a China, os imigrantes roubam empregos e trazem maus costumes às suas comunidades. Essa gente vê os defensores dos direitos humanos como pessoas fracas e mal intencionadas. Para eles, acordos com outros países são sinal de fraqueza e falta de liderança global.

Usando a lógica dessas pessoas, Barack Obama e Hillary Clinton representariam tudo o que eles odeiam. Tudo o que os incomodam e que acreditam ser a razão de suas insatisfações e frustrações pessoais. Querem o fim de políticos e governos que consideram fracos por defender valores progressistas.

Triste ver que, após um movimento tão progressista e luminoso que elegeu o primeiro presidente negro num país onde milícias de supremacia branca são toleradas e até veneradas, tenha sido solapado pela vontade odiosa e intolerante de uma maioria branca e de nível educacional médio, pessoas que possivelmente sequer leem um livro ao ano.

É a ignorância assumindo o poder de decisão sobre os caminhos da política e da economia no mundo, amparada numa base fundamentalista cristã. Uma religiosidade pra lá de doentia e nefasta.

Mais triste ainda é ver que no aniversário da Queda do Muro de Berlin (9 de novembro de 1989), assume o cargo de maior poder no mundo um homem que defende a construção de muros.

Fica a questão: Plutão veio para nos trazer retrocessos ou um processo de depuração da sombra?

PLUTÃO E A CURA DA SOMBRA COLETIVA

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A psicologia de Jung é clara em afirmar que a sombra que carregamos em nosso inconsciente tem um desejo obsessivo: se expressar.

E ela fara isso, custe o que custar.

Quando reprimimos a sombra, ela torna-se mais forte, rompe barreiras cognitivas e emocionais, manifestando-se na forma de transtornos comportamentais e patologias psíquicas.

É como o rompimento de um abscesso emocional e o pus que extravasa dali pode ser a violência, a intolerância, o ódio, a xenofobia e toda sorte de comportamentos destrutivos e autodestrutivos.

Portanto, a eleição de Donald Trump, o Brexit, a ditadura na Turquia e outros movimentos terríveis que vem tomando lugar no mundo são o pus do Inconsciente Coletivo, jorrando com vigor e severidade na tentativa de dar vazão à energia da sombra coletiva, ou seja, da energia de Plutão.

Como esse processo vai terminar e qual será a extensão e profundidade dos eventos porvir dependerá muito de como o planeta Plutão impactará os setores astrológicos, durante sua permanência em Capricórnio, até 2024.

Fato é que uma parcela doentia da humanidade terá de ser curada, seja pela descoberta do amor, respeito e tolerância ao diferente ou pela vivência da dor e da destruição.

Ao que tudo indica, pelo baixo nível de consciência dos apoiadores desse movimento ultraconservador de direita, é quase certo que o caminho trilhado será o da dor.

No futuro, das cinzas do processo e no trabalho de rescaldo – como aconteceu no pós Segunda Guerra Mundial – é que se entenderá o aprendizado espiritual ao qual tudo isso se prestou.

Aqui no Brasil veremos esse pus exalado pela sombra coletiva se manifestar por meio de líderes que adotarão – e já adotam – discursos de ódio e intolerância. Aqueles líderes que mais hostilizarem minorias, culpabilizando-as pela insatisfação do povo, é que ganharão o apoio dessa maioria que guarda um profundo e silencioso desejo de vingança e violência contra tudo e contra todos que não representam seus valores pessoais.

Aliás, muito desse discurso de ódio, e carregado do mesmo sentimento sexista que afetou Hillary também, foi projetado contra a presidente Dilma Rousseff pelo simples fato de ser uma mulher no poder. Algo intolerável para esse grupo da onda trumpista que tem eco nas redes sociais brasileiras.

É de se esperar que a campanha eleitoral de 2018 fique contaminada pela onda trumpista, pelo discurso xenófobo, homofóbico, machista e de protecionismo. A ascensão de pastores evangélicos ligados a setores ultraconservadores é um sinal de alerta que aponta para esse futuro sombrio.

O MOMENTO ASTROLÓGICO DA VITÓRIA DE DONALD TRUMP

Dois aspectos astrológicos se destacam no momento das eleições americanas:

  • Plutão em quadratura com Júpiter
  • Netuno em conjunção com a Cauda do Dragão

Júpiter e Plutão estão fechando um ciclo com a última quadratura entre os dois, um aspecto tenso que se manifesta na forma de surpresas e transformações do estado atual das leis e do conjunto social. A eleição de Donald Trump é realmente uma surpresa que muda o jogo político e traz o novo e o imprevisível para a cena política e econômica mundial.

Se você quiser saber mais sobre esse momento astrológico do final de 2016, assista ao vídeo abaixo:

 

 

Já a passagem de Netuno na Cauda do Dragão pode ser expressa pela imagem de um Titã, o Kraken levantando-se do fundo do oceano. Este é Donald Trump, a personificação da própria sombra que também é representada na astrologia pala Cauda Do Dragão, o chamado Nodo Sul da Lua.

Esses dois aspectos astrológicos estão diretamente ligados às forças subconscientes. Plutão no sentido transformador e destruidor do que não serve ou não mais funciona. Netuno como expressão dos anseios escondidos, das visões e delírios de quem vive um pouco fora da realidade, baseando seus julgamentos em suas impressões pessoais e não na realidade.

Para sacramentar a dinastia trumpista que vem por aí, em março de 2017 saímos de um ciclo de 36 anos de regência do Sol e iniciamos o Ciclo de 36 anos de Saturno. Saturno que é o conservadorismo puro, as limitações, os muros e barreiras.

Mas o ciclo de Saturno é uma história para outro artigo

Carlos A Harmitt

 

 

 

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Carlos Harmitt

Astrólogo e pesquisador do Pensamento Sistêmico e das Constelações Sistêmicas.

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